O SUS sob o olhar de quem cuida – Confira o artigo de Tereza Campos

O SUS sob o olhar de quem cuida – Confira o artigo de Tereza Campos

O SUS sob o olhar de quem cuida – Confira o artigo de Tereza Campos

Por Natália Santos
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Tereza Campos, superintendente-geral do IMIP e presidente do Conselho de Administração da Fehospe

A Constituição Federal de 1988 consagrou a saúde como direito de todos e dever do Estado. Dois anos depois, a Lei Orgânica da Saúde, nº 8.080/1990, regulamentou esse compromisso histórico e estabeleceu as bases para a organização do Sistema Único de Saúde, o SUS.

Neste 19 de setembro de 2026, celebrar os 36 anos do SUS desperta em mim um sentimento que mistura orgulho, gratidão e responsabilidade. Minha trajetória na saúde foi construída convivendo diariamente com suas conquistas, suas dificuldades e, sobretudo, com as pessoas que fazem esse imenso sistema acontecer.

Ao longo da minha experiência como gestora pública, na Secretaria de Saúde do Recife, na Secretaria de Saúde de Pernambuco e no Ministério da Saúde, aprendi que administrar o SUS é lidar com uma extraordinária complexidade. Sua sustentabilidade exige eficiência operacional, qualidade e segurança na assistência, financiamento adequado, equilíbrio, inovação, capacidade gerencial e, cada vez mais, disposição para transformar.

Hoje, à frente da Superintendência Geral do IMIP e da Presidência do Conselho de Administração da Federação dos Hospitais Filantrópicos de Pernambuco, acompanho de perto o papel estratégico das instituições filantrópicas como parceiras complementares do sistema público de saúde. No IMIP, instituição integralmente dedicada ao SUS, essa experiência reafirma diariamente uma convicção: a saúde pública brasileira não pode prescindir da força, da capilaridade e do compromisso das entidades filantrópicas.

Mas a verdadeira força do SUS não está apenas em sua estrutura tripartite, que articula Municípios, Estados e União. Está, sobretudo, nas pessoas. Está em quem acolhe, em quem cuida, em quem ensina, em quem pesquisa, em quem administra e em cada cidadão que confia ao sistema público de saúde aquilo que possui de mais precioso: a própria vida.

Chegar a 2026, com o SUS completando 36 anos, exige maturidade e coragem para enfrentar desafios históricos. O subfinanciamento, a defasagem na remuneração dos procedimentos, o envelhecimento da população, o crescimento das doenças crônicas, as epidemias, a necessidade de formar e valorizar profissionais, a qualificação permanente e a renovação tecnológica continuam a exigir respostas.

Ao mesmo tempo, novos desafios se apresentam. A transformação digital, a inteligência artificial, a medicina de precisão e outras inovações precisam ser incorporadas com responsabilidade, equidade e propósito. A tecnologia deve ampliar nossa capacidade de cuidar, nunca diminuir a dimensão humana do cuidado.

O SUS é resiliente porque se sustenta na dedicação de milhares de profissionais e na participação da sociedade. Os espaços de controle social, especialmente os Conselhos de Saúde, são parte essencial dessa construção. Fortalecer esse patrimônio nacional é responsabilidade compartilhada entre trabalhadores, gestores, prestadores de serviços, instituições de ensino e pesquisa, governos e toda a sociedade.

Mais do que celebrar os 36 anos do SUS, precisamos olhar para o futuro. Um sistema universal precisa ser também sustentável, inovador, eficiente e capaz de responder às profundas mudanças demográficas, epidemiológicas, sociais e tecnológicas que já estão diante de nós. Mas, qualquer que seja o futuro, um princípio não pode mudar: ninguém deve deixar de receber cuidado porque não pode pagar por ele.

Defender o SUS é defender a saúde como direito e a vida como valor maior. É preservar a universalidade, a integralidade e a equidade e, ao mesmo tempo, ter coragem para aperfeiçoar o que precisa ser aperfeiçoado. Depois de tantos anos dedicados à saúde pública, sigo acreditando que cuidar do SUS é também cuidar do Brasil e do futuro que queremos deixar para as próximas gerações.

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